11 de agosto de 2011

Farpa

A frustração da redutibilidade que me é imposta asfixia-me! Os seus rostos graves exigem grandes feitos, uma clarividência que ainda não possuo, ou que possuí em tempos mas que agora me é negada. O confinamento da minha existência a um conjunto restrito de práticas ou de gostos que em pouco ou nada satisfazem a minha busca de algo mais profundo que se aproxime do tão falado valor de felicidade, é não só uma completa heresia como um atentado à minha identidade pessoal!
A falta de profundidade que testemunho diariamente choca-me! Como é possível tentar conhecer seja o que for desconhecendo as suas causas, as suas origens, as suas raízes?! Há quem diga que sou boa ouvinte, apenas procuro peças para completar o grande puzzle da existência humana. O ser humano é um ser complexo, não tenham dúvidas; quer pela sua capacidade de raciocínio, quer pela sua vontade própria (que apesar do que muitos possam pensar nem sempre é usada, pois não se apercebem que estão a ser manipulados).
No meio de tantas ovelhas desmioladas que seguem indubitavelmente e acriticamente os pseudo-lideres por elas criados, há algumas mentes desimpedidas e desenvoltas que conseguem criar propostas de fuga à trivial mediocridade pela qual a nossa sociedade se rege. Não penso que haja falta de ideias mas sim falta de acções, a começar na minha pessoa. Acobardamo-nos numa atitude procrastinadora e temerária que demonstra uma certa indiferença ao esperarmos que os outros tomem uma atitude quando devemos ser nós a começar. As coisas não se mudam sozinhas, temos de ser nós a fazer a diferença! Fartei-me de ser uma mera espectadora pois não alcancei o que pretendia e a frustração de não me fazer ouvir continua bem presente. Ainda muita tinta há de correr até ver uma mudança significativa na mentalidade desta manada de mentes obscurecidas pela falta de conhecimento.
Há muita falsidade e hipocrisia que se tenta atenuar usando discursos moralistas desconhecendo o sentido profundo da palavra e confundindo-o com meras opiniões mal-formadas como forma de revolta contra as normas necessárias para manter a ordem. O respeito é algo esquecido e completamente desprezado. As palavras e as acções das pessoas contradizem-se pois o "politicamente correcto" foi banalizado e tentam ocultar-se as práticas indevidas.
Tirando breves brisas que refrescam o meu quotidiano sou constantemente forçada a pactuar com incongruências causadas pela perda de valores e de direcção que vislumbro diariamente. Todos os ensinamentos são esquecidos de imediato pois a semente cai em terra infértil, cheia de espinhos.

Depois de tudo isto pergunto-me: qual é o meu lugar no meio deste oceano de falsas causas, de indiferença social; nesta ausência de directrizes, de limites? Tudo o que oiço é que não percebem quando nem sequer tentam elevar as mentes e ver para além do óbvio, do que não incomoda nem traz esforço... Essas banalidades não me interessam! Não conseguirão moldar-me, não vou quebrar! Por hoje é melhor parar antes que me silenciem...
Share:

0 comentários:

Enviar um comentário