A frustração da
redutibilidade que me é imposta asfixia-me! Os seus rostos graves exigem
grandes feitos, uma clarividência que ainda não possuo, ou que possuí em tempos
mas que agora me é negada. O confinamento da minha existência a um conjunto
restrito de práticas ou de gostos que em pouco ou nada satisfazem a minha busca
de algo mais profundo que se aproxime do tão falado valor de felicidade, é não
só uma completa heresia como um atentado à minha identidade pessoal!
A falta de profundidade que
testemunho diariamente choca-me! Como é possível tentar conhecer seja o que for
desconhecendo as suas causas, as suas origens, as suas raízes?! Há quem diga
que sou boa ouvinte, apenas procuro peças para completar o grande puzzle da
existência humana. O ser humano é um ser complexo, não tenham dúvidas; quer
pela sua capacidade de raciocínio, quer pela sua vontade própria (que apesar do
que muitos possam pensar nem sempre é usada, pois não se apercebem que estão a
ser manipulados).
No meio de tantas ovelhas
desmioladas que seguem indubitavelmente e acriticamente os pseudo-lideres por
elas criados, há algumas mentes desimpedidas e desenvoltas que conseguem criar
propostas de fuga à trivial mediocridade pela qual a nossa sociedade se rege.
Não penso que haja falta de ideias mas sim falta de acções, a começar na minha
pessoa. Acobardamo-nos numa atitude procrastinadora e temerária que demonstra
uma certa indiferença ao esperarmos que os outros tomem uma atitude quando
devemos ser nós a começar. As coisas não se mudam sozinhas, temos de ser nós a
fazer a diferença! Fartei-me de ser uma mera espectadora pois não alcancei o
que pretendia e a frustração de não me fazer ouvir continua bem presente. Ainda
muita tinta há de correr até ver uma mudança significativa na mentalidade desta
manada de mentes obscurecidas pela falta de conhecimento.
Há muita falsidade e
hipocrisia que se tenta atenuar usando discursos moralistas desconhecendo o
sentido profundo da palavra e confundindo-o com meras opiniões mal-formadas
como forma de revolta contra as normas necessárias para manter a ordem. O
respeito é algo esquecido e completamente desprezado. As palavras e as acções
das pessoas contradizem-se pois o "politicamente correcto" foi
banalizado e tentam ocultar-se as práticas indevidas.
Tirando breves brisas que
refrescam o meu quotidiano sou constantemente forçada a pactuar com
incongruências causadas pela perda de valores e de direcção que vislumbro
diariamente. Todos os ensinamentos são esquecidos de imediato pois a semente
cai em terra infértil, cheia de espinhos.
Depois de tudo isto
pergunto-me: qual é o meu lugar no meio deste oceano de falsas causas, de
indiferença social; nesta ausência de directrizes, de limites? Tudo o que oiço
é que não percebem quando nem sequer tentam elevar as mentes e ver para além do
óbvio, do que não incomoda nem traz esforço... Essas banalidades não me
interessam! Não conseguirão moldar-me, não vou quebrar! Por hoje é melhor parar
antes que me silenciem...
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