31 de julho de 2017

Marulho

           Azul. Profundo e frio. Uma cor vibrante que me consome e apanha todas as minhas emoções dispersas. Inalterável e majestoso é assim o que mar que avisto daqui.
            O bater das ondas acalma-me e perturba-me ao mesmo tempo. Os movimentos que parecem suaves e calmos lá ao fundo, transformam-se em ruidosas manifestações de poder.
            O mar nunca deixa de chegar e ao mesmo tempo está sempre a partir. Incessantemente tenta alcançar a costa, mesmo sabendo que nunca serão um só. Mas o mar é assim porque é sonhador e não conhece derrota.
            Como poderei eu explicar esta coisa, que a tantos fascina e a muitos tira a vida? Poderá alguém desvendar os mistérios que esconde?
            Ó mar que és vida, se me entregasse a ti para onde me levarias? Poderia passar horas a contemplar-te, tu que não tens começo nem fim à vista, que encantas e aterrorizas ao mesmo tempo e que tantos segredos escondes.

            Assim és tu, meu amor, um homem de poucas palavras, calmo e persistente. Modesto e discreto, não revelando toda a sabedoria que guardas dentro de ti. Simples mas profundo ao mesmo tempo, amigável mas misterioso.
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