Nos últimos 50 anos, a tecnologia tem evoluído a uma velocidade
incrível, nunca antes pensada. Os avanços tecnológicos feitos são cada vez mais
e num espaço de tempo cada vez mais curto. O ritmo de trabalho da nossa
sociedade é cada mais acelerado, desvalorizamos o trabalho necessário e o tempo
que as coisas demoram a ser criadas e procuramos reduzi-lo ao mínimo possível.
A sociedade à qual pertencemos está embutida num espírito de imediato.
Não tem tempo para esperar que as coisas se desenvolvam naturalmente, tudo
precisa de ser catalisado para que as minhas necessidades estejam satisfeitas o
mais rapidamente possível. Por exemplo, a maior parte dos produtos agrícolas
comercializados são estimulados para se desenvolverem mais rápido e com
características mais favoráveis, ninguém tem tempo para esperar que estes se
desenvolvam de forma natural, tudo tem de ser produzido e lançado para o
mercado o mais rápido possível para ser consumido de imediato.
A tecnologia facilita a comunicação, torna próximo o que nos é distante,
traz-nos inúmeras vantagens no que diz respeito às nossas relações pessoais e
profissionais. Apesar das inúmeras vantagens que toda esta facilidade nos traz
e da proximidade que nos permite manter com pessoas que estão longe, surgem
também coisas, a meu ver preocupantes, tais como amigos virtuais. Nesta enorme
rede em que circulam as mais variadas informações, nunca podemos estar certos
da veracidade das mesmas, uma vez que cada um é livre de divulgar o que quiser acerca
de si, seja verdadeiro ou não. Deste modo, é extremamente difícil saber em que
informações confiar, sobretudo para os mais novos. Uma criança pode pensar,
ingenuamente, que está a falar com alguém da sua idade quando na realidade está
a falar com um qualquer predador sexual. Para além de os amigos virtuais
poderem trazer perigos, vão fazendo com que as pessoas percam lentamente a sua
natureza social. Poderemos considerar uma relação virtual uma relação real
quando por vezes não conseguimos observar a maneira de falar da pessoa, as suas
expressões, o modo como age, sem a existência de um abraço ou qualquer tipo de
contacto? Antes as pessoas iam a encontros para se conhecerem, depois mudavam
para a mesma casa e partilhavam a sua vida. Será que daqui a uns anos se
poderão fazer casamentos entre duas pessoas que nunca se viram?
Sem o contacto com outros seres humanos, sem relações sociais não
seremos também nós nada mais que máquinas destinadas a produzir? Antes via
crianças a brincar na rua, agora preferem jogar jogos de vídeo que passar tempo
umas com as outras. Se a tecnologia é destinada a ajudar o Homem porque é que
eu sinto que cada vez mais estamos a perder qualidade de vida? A tecnologia em
si não pode ser classificada como boa ou má, mas sim a utilização que lhe damos
e, pessoalmente, este não me parece um bom rumo.
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