14 de setembro de 2011

Libertação (pt. 6)

Era mais um dia na minha loja... Alguns turistas começavam a entrar timidamente porque nunca tinham ouvido falar da minha loja. Os locais conversavam sobre donde teria vindo eu e o que faria antes, afinal era um rapaz novo e consideravam o meu interesse por artesanato algo estranho, talvez até contraditório considerando a geração em que me inseria. Apesar de tudo, as pessoas eram simpáticas e nunca me trataram mal.
Havia uma simpática senhora que me fazia recordar a minha avó. A dona da mercearia ao fundo da rua da minha loja era uma simpática senhora, muito prestável, que tinha sempre um sorriso na cara e tratava cada um dos seus clientes como se estes fossem da família. Como a via todos os dias não tardou muito para que soubesse o meu nome e foi assim que travei a minha primeira amizade naquela terra que aos poucos começava a considerar minha. Foi ali que comecei a dar valor ao comércio tradicional. O atendimento personalizado, a ligação com as pessoas dava uma segurança diferente e sentia-se o esforço que cada um fazia para exaltar os produtos regionais.
O sol estava rasteiro e era difícil andar com os olhos abertos. O movimento estava fraco e preparava-me agora para fechar a minha loja quando vejo uma desajeitada figura aproximar-se a grande velocidade. Por entre os cabelos desalinhados brilhavam uns negros e penetrantes olhos. Era a rapariga do outro dia.
            «Não viste um medalhão circular, de ouro, com as fotos de um homem e uma mulher por dentro?» - disse a rapariga, com um ar preocupado.
«Um medalhão... Onde?»
«No outro dia, quando desmaiei na tua loja ele deve ter caído. Não sabes viste se estava lá alguma coisa caída? É muito importante para mim encontrar esse medalhão...»
            «Bom, agora que falas nisso eu lembro de ter encontrado um colar com um medalhão no chão... Tenho-o guardado para o caso de alguém perguntar por ele. Espera um instante que eu vou buscá-lo.»

            A rapariga observou-me ansiosamente enquanto esperava pelo seu medalhão e depois agradeceu-me e sorriu. Tentei controlar-me por uns instantes mas a curiosidade fazia o meu sangue fervilhar. Virei para ela e perguntei-lhe como se chamava. Ela olhou para mim com alguma desconfiança, mas ao olhar para o medalhão a sua expressão tornou-se mais leve e respondeu: «Chamo-me Lia.»

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