Era mais um dia na minha loja... Alguns turistas começavam
a entrar timidamente porque nunca tinham ouvido falar da minha loja. Os locais
conversavam sobre donde teria vindo eu e o que faria antes, afinal era um rapaz
novo e consideravam o meu interesse por artesanato algo estranho, talvez até
contraditório considerando a geração em que me inseria. Apesar de tudo, as
pessoas eram simpáticas e nunca me trataram mal.
Havia uma simpática senhora que me fazia recordar a minha
avó. A dona da mercearia ao fundo da rua da minha loja era uma simpática
senhora, muito prestável, que tinha sempre um sorriso na cara e tratava cada um
dos seus clientes como se estes fossem da família. Como a via todos os dias não
tardou muito para que soubesse o meu nome e foi assim que travei a minha
primeira amizade naquela terra que aos poucos começava a considerar minha. Foi
ali que comecei a dar valor ao comércio tradicional. O atendimento
personalizado, a ligação com as pessoas dava uma segurança diferente e
sentia-se o esforço que cada um fazia para exaltar os produtos regionais.
O sol estava rasteiro e era difícil andar com os olhos
abertos. O movimento estava fraco e preparava-me agora para fechar a minha loja
quando vejo uma desajeitada figura aproximar-se a grande velocidade. Por entre
os cabelos desalinhados brilhavam uns negros e penetrantes olhos. Era a
rapariga do outro dia.
«Não
viste um medalhão circular, de ouro, com as fotos de um homem e uma mulher por
dentro?» - disse a rapariga, com um ar preocupado.
«Um medalhão... Onde?»
«No outro dia, quando desmaiei na tua loja ele deve ter
caído. Não sabes viste se estava lá alguma coisa caída? É muito importante para
mim encontrar esse medalhão...»
«Bom,
agora que falas nisso eu lembro de ter encontrado um colar com um medalhão no
chão... Tenho-o guardado para o caso de alguém perguntar por ele. Espera um
instante que eu vou buscá-lo.»
A
rapariga observou-me ansiosamente enquanto esperava pelo seu medalhão e depois
agradeceu-me e sorriu. Tentei controlar-me por uns instantes mas a curiosidade
fazia o meu sangue fervilhar. Virei para ela e perguntei-lhe como se chamava.
Ela olhou para mim com alguma desconfiança, mas ao olhar para o medalhão a sua
expressão tornou-se mais leve e respondeu: «Chamo-me Lia.»
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