27 de março de 2012

Mistérios de um sorriso

Um sorriso raramente é apenas um mero sorriso. Pode esconder muita coisa, algumas por vezes até contraditórias ao seu sentido.
Às vezes espanto-me com a facilidade com que nos deixamos enganar por eles. Eles levam-nos a acreditar na falsa simpatia de alguém que nos quer enganar, na suposta alegria do amigo que sofre, na aparente descontracção de quem está nervoso. E não ficam por aqui!
Se as palavras me confundem, rio. Rio na esperança de que a minha incompreensão seja atenuada, pois tudo o que não quero é mostrar fragilidade.
Quantas vezes esboço um mero sorriso ou me rio para esconder o desconforto com que ouço alguém dizer as verdades que escondo no meu coração mas que me recuso a admitir... Posso até rir-me de algo dito em tom de brincadeira, mas que no meu íntimo desejo que fosse realidade. O riso esconde também a raiva de quem se sente ofendido, contudo sabe que demonstrá-la traria conflitos e então, para manter a paz, limita-se a rir.
O meu riso estridente tenta desesperadamente desviar as atenções do sofrimento que os meus olhos denunciam. Tudo para salvar uma realidade na qual desejaria não viver, mas que é o melhor que poderia alguma vez alcançar.
Quando me sinto mais confiante sorrio amigavelmente na esperança de que algo mude, sorrio para disfarçar a frustração de querer apenas o que não posso ter e de nunca ter o que quero. À vista desarmada, tudo está calmo mas um turbilhão de emoções lutam num equilíbrio imperfeito, prontas a romper a minha frágil barreira de auto-controlo.
Um riso/sorriso é algo falso? Talvez. Mesmo que por uns momentos me ria de uma piada, outros sentimentos sobrepõem-se a essa felicidade momentânea. Não porque a felicidade não tenha força suficiente para vencer esse negativismo, mas porque o seu estado não será nunca de permanência. Essa felicidade absoluta que buscamos não passa de algo utópico, mas lutar para que os sentimentos bons se sobreponham ligeiramente aos maus é algo perfeitamente válido e recompensador.

O mais verdadeiro será sempre aquele que faço quando estou contigo, porque aí sim, a felicidade é verdadeira. Como explicar este fenómeno? Não sei. Há coisas que simplesmente não se explicam, porque a sua natureza não é, nem poderá nunca ser racional.


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