12 de julho de 2012

Sem título - pt. 2

Acordei ao sentir o suave toque de uns delicados raios de luz, que espreitavam pela janela do meu quarto. Ao longe, ouvia o som de pássaros, que esvoaçavam ao longo da rua. O dia amanhecia calmo e o sol levantava-se vagarosamente do horizonte. Como acordei antes do despertador tocar, decidi fazer as coisas com calma. Liguei a aparelhagem, pus um dos meus CDs de música do mundo. Acordar daquela maneira deu-me vontade de ouvir Joe Hisaishi. Aumentei o volume até me parecer suficiente e fui tomar banho. Ah! Não há nada como sentir o cabelo a ficar molhado e a esticar-se, escorrendo lentamente pelas minhas costas... 
A água lava tudo menos os meus pensamentos, esses continuam iguais. O barulho da água a correr recordou-me daquele dia de chuva em que o encontrei. O olhar dele estava sério, algo triste. O rosto estava pesado, parecia pedra. E o corpo fechado em si, bloqueando tudo à sua volta. Naquele momento não percebi porque agia assim, mas agora tudo fazia sentido: estava desiludido. Quando a resposta que lhe dava não era a que desejava, olhava-me fixamente por alguns segundos, como se esperasse uma acção minha que reparasse os danos das minhas palavras. Apesar de demonstrar sempre uma natureza gentil quando se acompanha de mim, receio o que poderá esconder. A verdade é que tenho tendência para me relacionar com homens que me iludem com as suas palavras gentis. Em tempos, acreditava quer que eram reflexo da sua natureza bondosa e amável, mas depois percebi que apenas serviam para manipular a minha ingenuidade. Como eu gostava de acreditar que as suas intenções são nobres... 
O despertador está a tocar. Finalmente! Está na altura de desligar a aparelhagem e tomar o pequeno almoço. 
Ao fim de alguns minutos, por toda a cozinha se sentia o meu cheiro matinal preferido: café acabado de fazer. Enchi uma grande chávena (que eu gostava de denominar chávena, mas que a minha mãe afirmava ser uma tigela) de café bem quente e juntei um pouco de açúcar. Aquele café precisava de açúcar, não era como o que eu guardava apenas para os Domingos. 
Apressei-me a descer a rua até chegar à casa da Camila. Conhecemo-nos desde os 3 anos de idade e desde aí que nos tornámos praticamente inseparáveis. Vamos todos os dias juntas para a cidade e a verdade é que não há mais ninguém com quem eu queira partilhar aquela meia hora diária até à universidade...
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