30 de agosto de 2011

Libertação (pt. 2)

Pela primeira vez em longos meses senti-me em controlo da minha vida. Estava a fazer o que queria, e era por mim e por mais ninguém! Permiti-me essa "extravagância" porque até aí sempre vivi mais para os outros do que para mim. Quando alguém tinha um problema deixava tudo o que estava a fazer e ia ajuda-lo, independentemente das consequências que isso poderia trazer para mim. Até as minhas escolhas se baseavam mais no que os outros queriam para mim do que na minha vontade pessoal, com medo de ser recriminado. Mas inspirado pelas palavras sábias que escutara senti que devia começar a fazer as coisas por mim e a não deixar os outros decidirem por mim, pois apenas eu poderia saber o que me faz feliz.
No início tudo parecia correr maravilhosamente bem, talvez até bem demais. Contudo rapidamente me apercebi que lutar contra os meus velhos hábitos seria bem mais complicado do que imaginara. Claro que agora tinha plena consciência de que estes não me levavam onde pretendia e que apenas iriam atrapalhar o plano que traçara para mim. Era altura de esquecer todos os medos, reunir toda a coragem que nunca usara e travar a primeira batalha que levaria ao início da minha nova vida, agora livre de todos aqueles medos e vícios que me aprisionavam.
O sol parecia brilhar de modo diferente, mais intensamente. Mas apesar disso o vento era impiedoso e revirava os meus cabelos como que numa busca desenfreada. Nenhuma dessas coisas abalou a minha determinação e avancei a passo rápido para aquilo que pensei ser o meu primeiro desafio. A minha expressão era grave e impassível e o meu olhar frio e penetrante, quase incomodativo até. Decidi deixar tudo o que me recordasse da minha antiga vida e dos meus velhos hábitos, e dedicar-me à única coisa que me podia dar o que precisava para a minha vida. Aquela experiência dera-me uma nova vida e tinha de a aproveitar o melhor que conseguisse. Não podia desperdiçar aquela oportunidade! Não poderia voltar a fracassar ou tudo aquilo teria sido em vão e considerar-me ia para sempre um grande falhado. Despedi-me da minha antiga casa, dos meus antigos "amigos", daquela faculdade que só me tinha dado desilusões e um problema com o qual teria de lidar para o resto da vida.

Ao chegar à escadaria da universidade as minhas mãos tremiam e o meu coração batia mais rápido pois memórias daqueles meses que não queria recordar corriam agora na minha mente, tornando o meu andar pesado e a minha respiração quase impossível. A minha visão tornou-se turva e senti-me quase a desmaiar, até que ouvi uma buzina. Despertei e virei-me para ver de onde vinha tanto barulho. Ao fundo, à entrada da universidade estava agora um grupo de estudantes em manifestação. Ignorei-os e voltei costas, continuando o meu caminho rumo à secretaria. Estava decidido, iria sair daquela universidade e partir para um sítio mais calmo. Aquela cidade destruíra tudo o que construíra ao longo dos anos... A minha vida académica, a relação com a minha família e sobretudo, a minha relação comigo próprio.
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