Um grande povo, uma grande nação. Rostos que contam
histórias não só de um presente conturbado, mas também de um passado rico em
aventuras e reviravoltas inesperadas. Pelo ar correm as memórias de tempos
gloriosos e os rios murmuram palavras que em tempos inspiraram gentes, moldaram
mentalidades e marcaram gerações. Do mar nos vem a lembrança de uma atitude
ousada e destemida que com o passar do tempo se foi perdendo, resultando num
inútil e decadente pessimismo que nada mais fez do que apagar o brilho que se
antes se sentia. O espírito guerreiro esconde-se em cada árvore, em cada rocha,
lembrando-nos a bravura e perícia de um povo em busca da sua liberdade, à
conquista do seu espaço.
Hoje olho em volta e nada vejo senão almas despedaçadas,
mentes vergadas e uma falta de vontade e iniciativa tão generalizada que me
custa a querer que este seja o mesmo país que tanta fortuna viu. Será por não
encontrarem nada porque lutar?! A tão afamada crise não parece querer
libertar-nos dos seus braços opressores assim tão cedo... Desde quando é que
ser português deixou de ser sinónimo de combatente esforçado e dedicado à sua
causa?! Ao fim de tantos anos de história, julguei que fosse já claro que
seremos sempre subestimados e que nos cabe a nós tornar o nosso fado
venturoso...
Desistir de Portugal implica desprezar séculos de história,
inúmeras lutas por independência, tradições e uma vasta herança cultural e
linguística. É mais fácil cruzar os braços e apontar o dedo do que sair do meu
lugar e fazer alguma coisa para corrigir o que está mal. Não vale a pena
atribuir culpas quando o mal está feito. Aquele que devia ser um tempo de união
e esforço comum, nada mais é do que um tempo de discórdia e queixume. Chega de
falsos argumentos e mau carácter, acabem de uma vez com as lamurias incessantes
que a nada conduzem e enfrentem audaz e corajosamente os desafios
contemporâneos.
Ainda que muitos fujam e reneguem as suas origem, eu tenho
orgulho em dizer que aqui nasci, aqui pertenço. Sou uma pequena parte da grande
pátria que é Portugal e cabe-me a mim, portuguesa, levantar bem alto um nome
que com apenas 3 sílabas define tanta coisa.

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