3 de novembro de 2011

O medo

Agora nada é mais claro do que avassalador medo que se sente em todo o lado. Acompanha-me onde quer que vá, silencioso e letal, entra sem permissão e apodera-se da minha mente. Por vezes esconde-se até que me esqueça da sua existência ou me convença de que partiu para não mais voltar e então, volta sorrateiramente quando menos convêm e paralisa-me os pensamentos, atrofia-me os movimentos e congela-me as palavras. Parasita todos os meus sonhos e planos e transforma as minhas certezas em pequenos nadas dispersos pelo meu ser. Aprisiona-me na inactividade das minhas inseguranças e priva-me de alcançar os meus objectivos. Cria barreiras desnecessárias, bloqueia a minha vontade e impede-me de tentar, na certeza de que se não tentar não poderei jamais falhar. O medo, seja ele do que for, impede-nos de agir em concordância com os nossos desejos mais profundos e atira-nos para um estado de dormência, de modo a conseguirmos lidar com a perda do amor próprio.

Certamente o medo não poderá fazer tudo isso sozinho, mas quando não é combatido ele cresce e ganha poder. A preguiça de ter uma atitude corajosa face um pequeno desafio ocasional, pouco a pouco, pode conduzir a uma incapacidade total de superar qualquer tipo de obstáculos, sejam eles alterações repentinas na nossa vida ou situações desconhecidas. Uma vez instalado e sendo ele o inquestionável detentor da nossa mente, o processo para o remover é uma intervenção morosa e até um pouco dolorosa. Embora muitas vezes imperceptível aos outros, o medo é uma força opressora que ameaça destruir tudo o que conseguir, caso não seja controlado. Apesar de por vezes nos esquecermos disso, o medo é um sentimento comum nos seres humanos, porém, muitas vezes é moralmente condenável mostrá-lo. A grande questão aqui é: como vencê-lo?



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