Agora nada é mais claro do que avassalador medo que se
sente em todo o lado. Acompanha-me onde quer que vá, silencioso e letal, entra
sem permissão e apodera-se da minha mente. Por vezes esconde-se até que me
esqueça da sua existência ou me convença de que partiu para não mais voltar e
então, volta sorrateiramente quando menos convêm e paralisa-me os pensamentos,
atrofia-me os movimentos e congela-me as palavras. Parasita todos os meus
sonhos e planos e transforma as minhas certezas em pequenos nadas dispersos
pelo meu ser. Aprisiona-me na inactividade das minhas inseguranças e priva-me
de alcançar os meus objectivos. Cria barreiras desnecessárias, bloqueia a minha
vontade e impede-me de tentar, na certeza de que se não tentar não poderei
jamais falhar. O medo, seja ele do que for, impede-nos de agir em concordância
com os nossos desejos mais profundos e atira-nos para um estado de dormência,
de modo a conseguirmos lidar com a perda do amor próprio.
Certamente o medo não poderá fazer tudo isso sozinho, mas
quando não é combatido ele cresce e ganha poder. A preguiça de ter uma atitude
corajosa face um pequeno desafio ocasional, pouco a pouco, pode conduzir a uma
incapacidade total de superar qualquer tipo de obstáculos, sejam eles
alterações repentinas na nossa vida ou situações desconhecidas. Uma vez
instalado e sendo ele o inquestionável detentor da nossa mente, o processo para
o remover é uma intervenção morosa e até um pouco dolorosa. Embora muitas vezes
imperceptível aos outros, o medo é uma força opressora que ameaça destruir tudo
o que conseguir, caso não seja controlado. Apesar de por vezes nos esquecermos
disso, o medo é um sentimento comum nos seres humanos, porém, muitas vezes é
moralmente condenável mostrá-lo. A grande questão aqui é: como vencê-lo?

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