Eu
sei que não percebes. Eu sei que não vês. A maior e mais dolorosa cicatriz
foste tu que a fizeste, não alguém que não percebe aquilo porque passo todos os
dias, não alguém que me odeia, mas a pessoa que me devia proteger.
No meio da tua aversão generalizada a mulheres deves-te ter
esquecido que as mulheres são criaturas frágeis, independentemente do que as
aparências possam dizer. Vejo imensas vezes homens apregoar que as mulheres não
deviam dizer que os homens são todos iguais, mas fazem alguma coisa para provar
o contrário?
Há certas coisas que muitas vezes são usadas como termo de
comparação que nem deviam fazer parte da equação. Dizer que alguém é pior que
tu porque tem vícios “piores” é completamente absurdo. Vícios temos todos,
ainda que nem sempre os consideremos como tal. Não penses tanto de ti próprio,
és humano cometes erros como qualquer pessoa. Mas se precisas mesmo de medir o
valor de uma pessoa eu explico como se faz.
Se falarmos em termos de confiança, uma pessoa confiável é alguém
que mantém a sua palavra, que não diz coisas demais e que mede as suas palavras
de modo a não dizer coisas que não sente e a não prometer o que não tenciona
cumprir. Relativamente às responsabilidades dessa pessoa, uma boa pessoa
distingue-se por não tentar escapar à responsabilidade e fazer o seu trabalho
devidamente. Uma boa pessoa tem em consideração as pessoas que a rodeiam e não
centra o seu pensamento apenas em si própria. Poderia continuar a enumerar
coisas, mas acho que isto é suficiente para me fazer perceber.
Não quero com isto dizer que sou uma pessoa perfeita, ou que sou
melhor que tu, mas aquilo que me tentaste mostrar de ti não corresponde de todo
ao que tu és. No início era normal porque éramos praticamente desconhecidos,
mas depois tornou-se insuportável. A tua insegurança era asfixiante. Tens assim
tanta repulsa de ti próprio que estejas sempre com medo que olhe para outro
lado, ou será a culpa de me estares a enganar? Seja como for, já não quero
saber. Tanto ansiavas que me fartasse de ti e te deixasse que fiz isso mesmo.
No fundo acho que nunca me viste como eu mesma, mas como uma substituta da tua
ex. Nem isso era, visto que nunca chegámos mesmo a ser namorados.
Tenho pensado muito em quem verdadeiramente sou. Na verdade, nem
eu sei. No entanto, quero perceber quem realmente sou para não levar os outros
a acreditar num “eu” que não existe.
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