Tinha
acabado de ver um romance bastante comovente. Lembrou-me das coisas
boas que temos na nossa vida às quais muitas vezes não damos valor. Mas
não fiquei a pensar nisso com remorsos de algum acontecimento, apenas
fiquei com um sentimento de conforto e pensei “Que fofinho!! ^^”. Depois
disso apeteceu-me ouvir uma música fofinha, algo que expressasse o quão
especial alguém é, todas as qualidades que vemos nessa pessoa e o quão
feliz a sua existência nos deixa, no entanto demorei algum tempo a
lembrar-me de uma música que me deixasse minimamente satisfeita. A
verdade é que a minha lista de reprodução não tem tido músicas assim.
Qualquer música que me faça lembrar o tema “amor” mais a sério é
automaticamente repudiada e atirada para um canto. Não é que eu odeie
toda a gente, como às vezes digo, mas como não há ninguém cuja
existência seja especial para mim, toda a gente parece ter a mesma falta
de sentido e importância na minha vida.
Acho
que já todos tivemos aquele momento na vida em que desejamos ter alguém
com quem partilhássemos tudo. Cada sentimento, cada pensamento, cada
alegria, cada ferida, como se por o fazermos tudo ficaria mais fácil
porque não enfrentaríamos a vida sozinhos mas como duas pessoas. No
fundo acho que tudo isso não passa de um sonho idealista, pois duvido
que alguém conseguisse perceber todos os meus pensamentos, às vezes
contraditórios, e aceitar todas as minhas mudanças de humor e
inseguranças. Eu nunca quero estar sozinha, mas não me mostro a ninguém.
Faz sentido?
Na
vida real ninguém me vai abordar do nada, não é como nos filmes. Eu
nunca saio da minha zona de conforto e como tal só saio de casa quando é
absolutamente necessário. É claro que tenho amigos, não sou assim tão
alienada, mas ultimamente tenho-os negligenciado. Nem sequer faço um
esforço para falar com eles ou passar algum tempo com eles. No fundo
tomo-os como garantidos, ainda que ache que eles não me percebem
completamente e por vezes até que eles não gostam assim tanto de mim
para os ver como tal. Os bons amigos não deviam ser como nos filmes,
sabem, daqueles que fazem tudo juntos e sabem tudo um do outro? Há
pessoas que sabem tanta coisa sobre mim mas não partilham quase nada
sobre elas próprias... Eu não quero impor-lhes a minha amizade, não é
assim que funciona. Será que é por eu sei queixinhas, ou como diz uma
amiga minha, gostar de fazer-me de coitadinha? Às vezes falo tanto que
até me esqueço de pensar que numa conversa a outra pessoa é suposto
falar também, mas não é porque eu não a queira ouvir, antes pelo
contrário. É que eu às vezes fico tão nervosa que não consigo
explicar-me como queria e tenho medo que a outra pessoa não me perceba.
Não sei porque tenho a tendência de ser mal compreendida.
Ultimamente
tenho tido a sensação de ver a minha vida como se fosse um mero
espectador. Houve tantas experiências, boas e más, que agora não passam
de memórias e que parecem tão distantes... Tenho saudades de uma boa
conversa, de partilhar interesses, de esperar ansiosamente por uma
mensagem, de alguém com um aspecto
francamente mediano se tornar no meu ideal de beleza, de um simples
perfume ser o suficiente para me deixar uma profunda vontade de cair nos
braços dessa pessoa, de parecer que toda e qualquer música de amor é
escrita para mim. Tenho saudades de amar.
Talvez um dia encontre o meu lugar e ganhe coragem para sair de casa e enfrentar o mundo... Talvez um dia volte a viver....
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