29 de junho de 2013

Shift

Após pensar um pouco, ocorreu-me que a minha vida talvez se aproximasse das séries que vejo. Passo a explicar.
Estou sempre à procura de um bom romance para ver, mas frases feitas e elogios pirosos em excesso começam a parecer falsos. E assim, da mesma maneira como me canso de ver romances, também me farto de lidar com outras pessoas em clima de aparente romance. Nas séries parece sempre tudo perfeito, pois ainda que hajam problemas os sentimentos que unem as personagens são sempre verdadeiros e perfeitos. Na vida real as pessoas parecem estar apenas a esforçar-se para fazer jus a um ideal de perfeição.
Assim sendo, passo para o próximo género. Procuro coisas fantásticas ou relacionadas ao sobrenatural, mas sempre com um toque de acção. Os romances cansaram-me e preciso de entusiasmo, mas elevo o sonho a um nível mais alto. Já não estamos a falar de sentimentos idealizados, desconhecidos ao ser humano, mas sim de mundos alternativos ou até mesmo de criaturas diferentes das que conhecemos, mutantes de humanos ou quem sabe talvez cruzamentos entre divindades e mortais. Estas histórias fazem as pessoas aspirarem ser um versão melhor delas próprias, ter capacidade para fazer o que nenhum humano consegue ou, simplesmente, fugir para outro mundo. Também eu quero ser um eu melhor, fazer coisas que ninguém consegue. E que coisas são essas? Eu quero exceler nas minhas verdadeiras paixões, aquilo que sei fazer melhor. As fases que passo a ver séries de fantasia/sobrenatural podem ser comparadas às fases em que me dedico, quase exclusivamente, às coisas que mais gosto de fazer, o que me faz sentir uma pessoa activa e produtiva. Eventualmente começar-me-ei a sentir desligada da realidade e tanta fantasia deixar-me-á tonta, parando de ver esse tipo de séries. Do mesmo modo, o tempo dedicado ao trabalho começará a parecer um fardo e a distância das outras pessoas parecerá enorme, e, por isso, decido parar por um tempo.
Como a minha mente pede coisas mais reais e a solidão se apoderou de mim, passo então a ver dramas. Quanto mais tristes melhor. Chego até a pensar que se não me comover não é uma boa série e que a realidade é ainda mais triste do que a que retratam em algumas séries. A medida que a minha exigência aumenta os enredos tornam-se mais complicados, longos e emocionalmente devastadores. Há uma altura em que só tristeza e sofrimento não chegam, preciso de ver coisas sangrentas. As personagens são cada vez mais corrompidas e as suas acções perturbadoras. Com tudo isto, a minha mente enche-se de pensamentos obscuros e a visão do mundo torna-se dura e amarga. E assim, para evitar perder completamente a esperança na humanidade passo a ver outro tipo de séries.

Na fase seguinte, para recuperar a esperança e os pensamentos felizes, vejo coisas mais ligeiras. E assim chegamos ao género menos apreciado por mim, talvez, mas cujo poder não poderá em situação alguma ser subestimado, a comédia. Também eu tenho fases de comédia, quando estou tão nervosa que não sei o que dizer e tudo o que consigo pronunciar são parvoíces inconvenientes ou quando ouço música muito alto e faço coreografias estranhas ou ainda quando faço uso das minhas capacidades, recentemente descobertas, de fangirling.
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