20 de julho de 2017

Ó Tu!

Não gosto da tua atitude. Sim TU, ouviste bem. Não olhes para o lado, estou a falar contigo.

Tu que vês o mundo com cinismo e criticas tudo e todos sem perder tempo a reflectir de ti próprio primeiro. Toda a gente comete erros. Achas que a vida é mais fácil para os outros do que para ti? Cada um tem as suas circunstâncias e aquilo que pode parecer insignificante para ti pode ser um problema muito complicado para outra pessoa. Pensa nisso antes de julgar. Falar de situações que desconhecemos é fácil, não és tu que estás a viver o sofrimento e a agonia das outras pessoas. E depois cais na ilusão de pensar que certas coisas nunca te vão acontecer a ti, porque tu és diferente, não estás ao mesmo nível das outras pessoas. Tu és mais saudável, mais inteligente, mais bem preparado, estudaste mais… Pois então digo-te que não funciona assim. A vida é cheia de surpresas e é muito fácil cair. Só não cai quem já está no chão.

Então e tu, que deixaste de acreditar no mundo e nos outros? Falas com sarcasmo e amargura, parece que nunca estás satisfeito. És feliz assim? Claro, o mundo não é perfeito, ninguém é. Mas sem esperança que somos nós senão, nas palavras de Fernando Pessoa, cadáveres adiados? Se queres mudança, essa mudança tem de vir de ti. Não esperes pelos outros. Sozinho não vais conseguir uma mudança social, mas se tu mudares, aos poucos vais conseguindo tocar as pessoas com quem te cruzas. Há coisas que nenhum de nós tem poder para mudar, apenas as grandes instituições e poderes da sociedade, mas tu és responsável pela maneira como pensas e pela atitude que tens. Queres trazer uma energia negativa ou positiva para o mundo? A escolha é tua.

Não penses que me esqueci de ti meu caro amigo, tu que valorizas mais as coisas materiais e escolhes ignorar os problemas do mundo como se fossem insignificantes ou não tivessem nenhuma relação contigo. Queres uma boa vida, ter dinheiro e as coisas que quiseres, sem te preocupares se são caras ou não. Se os outros conseguem ter a mesma vida que tu ou não, não te diz respeito, é o que tu pensas. Podes estudar os anos que quiseres mas um doutoramento não te ensina a ser um Homem. Para quê essa obsessão com dinheiro e coisas supérfluas? Não estarás tu a tentar compensar o vazio que sentes com sensações de prazer passageiras e bens matérias com um tempo de vida contado?
Estás aborrecido? Compra uma consola e joga. Estás triste? Vai para um estabelecimento nocturno e bebe até te esqueceres do teu nome. Sentes-te sozinho? Vai para a Internet e fala com desconhecidos.
Comprar mais coisas vai resolver os teus problemas? Sentes-te menos sozinho por teres coisas caras em casa? O teu computador vai abraçar-te de noite quando estás triste?

Vives tão obcecado com teres dinheiro que nem te apercebes das coisas belas que tens à tua volta. É esta a mentalidade que nos metem na cabeça desde crianças: tens de estudar, mas não pode ser uma coisa qualquer, tem de ter prestígio e dar dinheiro; mas não podes só estudar, tens de ser o melhor, porque se não fores o melhor ninguém te vai escolher e és um falhanço; depois trabalhas muito e ganhas dinheiro. E queres esse dinheiro para quê? Estás tão ocupado a trabalhar que não tens tempo para o gastar. Quando dás por ti a vida passou-te ao lado. Deixaste de falar com os teus amigos, a tua mulher trata-te como um estranho, os teus filhos já cresceram e tratam-te com desprezo. Para que serviu tudo isso?
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