5 de agosto de 2017

Essência

            As aparências são enganadoras. Podem cegar uma pessoa. Há quem fique cego com aquilo que quer ver, outros com o que alguém quer que eles vejam. Quem não sabe como procurar nunca vai encontrar nada; porque não é com os olhos que se consegue ver realmente.
             Os nossos olhos tentam racionalizar tudo o que veem, transportam julgamento e associam rótulos a tudo, pensando que assim será mais fácil compreender as coisas à nossa volta. Mas de que serve tudo isso?
            Que é a idade senão mais que um número, assim como o peso ou a altura? Então e coisas como o grau de escolaridade, profissão ou riqueza, não serão apenas uma forma de alguns justificarem o seu próprio narcisismo e complexos de grandeza? Todas estas coisas não passam de conceitos criados pelo Homem.
            O verdadeiro valor das pessoas não pode ser medido por conceitos humanos, porque nós fazemos parte de algo muito maior que nós e que tendemos a ignorar ou a rejeitar. Somos todos também parte da Natureza e vivemos num frágil equilíbrio com outros seres vivos. Ainda que o Homem rejeite o seu lado animal este não pode ser negado.
             A empatia que geramos com outros homens e com outros seres vivos é, na verdade, o que faz de nós Humanos, ainda que imperfeitos. Porque mesmo que a Natureza seja perfeita, o ser humano incluído, as escolhas que fazemos diariamente não o são. Contudo, se tentarmos viver em harmonia com os que nos rodeiam conseguiremos certamente aproximarmo-nos desse equilíbrio que necessitamos.

            As nossas acções dizem muito mais sobre nós do que qualquer conceito humano poderia. E, mesmo assim, são insuficientes para conseguirmos vislumbrar a verdadeira essência de uma pessoa. Porque há coisas impossíveis de explicar, nem devem ser explicadas mas sim sentidas, uma vez que o Homem, como parte da Natureza, esconde segredos que ninguém conseguirá alguma vez desvendar.
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